segunda-feira, 2 de abril de 2018

Ao longo dos anos eu me tornei sentimental e, ao mesmo tempo, ainda mais cínico. Sei lá como. Estou me tornando um velho (ainda mais) ranzinza, mas de coração mole.

Eu me esforço exaustivamente pra parecer alguém seguro. Aquele alguém que mantém a calma durante o caos. Alguém pleno. Mas a verdade é que eu estou completamente perdido, e eu sempre entro em desespero quando percebo isso. Há um momento em que tudo ao meu redor se acalma e minha cabeça desacelera, e é nesse momento que tenho tempo de refletir. É nesse momento que vejo a (falsa) calmaria em que me encontro e o futuro completamente sem perspectiva que me aguarda.

Ultimamente eu tento não desacelerar nunca, e assim eu consigo me enganar por um tempo.
Mas às vezes a exaustão bate, e aí não tem jeito. E dói quando eu percebo a minha própria mentira.

Eu costumava não ter medo de refletir sobre a vida, e isso mudou. E não é medo de pensar sobre minha vida em si, mas de constatar quão inerte e cínico eu me torno a cada dia. O pior é que depois de tudo, mesmo estando tão descrente sobre tanta coisa na vida, eu continuo acreditando no conto de fadas. Eu - justo eu - acredito nas bases mais babacas dessa sociedade cristã de merda. Quero uma família, quero alguém pra cuidar, quero umas cópias de mim andando por aí. Minha vida não terá sentido se eu me perceber velho e sem nada disso. E isso me apavora.

Há poucos meses eu me perguntei, pela primeira vez na vida, por que eu continuava vivendo e o sentido disso tudo. Eu reprimi esses pensamentos o máximo que pude, mas não foi só uma vez. Foram repetidas vezes, durante repetidos dias, e eu fui obrigado a encarar que tinha algo muito errado comigo. Poucas coisas já me assustaram como constatar que eu estava desenvolvendo pensamentos suicidas. Estou bem melhor, muita coisa mudou na minha vida desde então, e recentemente eu cheguei a dizer em alto e bom som que esta é uma das épocas mais felizes e plenas que já vivi. Continua sendo verdade. No entanto, eu também me pergunto - dessa vez só em pensamento - quando o caos chegará. Não à minha vida, mas à minha cabeça.

Pior do que isso. Eu me pergunto como vou me defender quando esses pensamentos aparecerem de novo.

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